terça-feira, 15 de março de 2022

Expansão urbana e cidades fantasmas: o impacto da mineração no ambiente construído

Muitas das cidades que conhecemos hoje, não apenas foram fundadas a séculos mas cresceram e floresceram devido a uma série de diferentes razões. Alguns dos mais importantes assentamentos humanos e urbanos se desenvolveram devido à sua proximidade com a água, como no o caso de Dar es Salaam, atualmente uma das mais importantes cidades portuárias da África Oriental. Outras famosas capitais do mundo foram planejadas e construídas do zero muito mais recentemente, como no caso do Brasil e também da Nigéria. Existem ainda cidades e até regiões criadas para servir a um determinado setor da economia ou industria, como é o caso do Vale do Silício, no estado americano da Califórnia. Entre a infinidade de distintas razões que podem provocar o surgimento ou o desenvolvimento de uma determinada cidade, existe uma que no entanto, foi capaz não apenas de criá-las da noite para o dia, mas também de destruí-las em um curto espaço de tempo.

A descoberta de um mineral precioso na superfície ou nas profundezas da terra têm sido, historicamente, uma das principais razões pelas quais cidades foram fundadas, floresceram e desapareceram em um breve período de tempo. Nos Estados Unidos, podemos encontrar um grande número dessas cidades, a maioria delas tendo sido fundada ao longo dos séculos XIX e XX, à medida que o país passava pela Corrida do Ouro—uma descoberta que provocou um intenso processo migratório, principalmente de homens jovens e solteiros em busca de fortuna.

Décadas depois, muitas das cidades que haviam surgido durante os fartos anos dourados, foram completamente abandonadas após o esgotamento das jazidas ou devido também aos desastres naturais provocados por uma atividade predatória e precária. A cidade de Berlim, no estado americano de Nevada, é um ótimo exemplo da má fortuna das cidades fundadas por corporações. Acontece que as demandas dos trabalhadores por melhores salários e condições de trabalho não foram atendidas pela empresa, e aquilo que deveria ser apenas uma greve momentânea se transformou e um êxodo em massa e a consequente ruína da cidade.

No entanto, esta não é uma regra sem exceções e nem todas as cidades mineradoras acabam sucumbindo, sendo abandonadas ou esquecidas. Muitas das grandes metrópoles do mundo hoje, em algum momento de sua vasta história, tiveram relações diretas com algum tipo de atividade de mineração. A história da cidade de Joanesburgo, na África do Sul, está profundamente conectada com a descoberta de ouro em seu território.

Economicamente, Joanesburgo não sofreu tanto como outras cidades fundadas na época da corrida do ouro na África do Sul. No entanto, a transformação de Joanesburgo em uma nova metrópole baseada em práticas exploratórias desiguais, provocaram a marginalização das populações nativas africanas, induzindo um aumento substancial nos assentamentos informais espalhados pela cidade.  A atividade extrativa predatória na cidade de Joanesburgo provocou uma série de danos ambientais irreversíveis e que ainda hoje permanecem presentes na paisagem urbana de Joanesburgo. Este ambiente urbano degradado, por sua vez, é um prato cheio para a precariedade da vida cotidiana de muitas famílias de toda a cidade.

Recentemente muito tem se falado sobre as práticas de mineração antiéticas que ainda hoje são uma realidade em diversos países ao redor do mundo. Dito isso, é imperativo melhor compreender de que maneira os assentamentos humanos foram estabelecidos ao redor de uma indústria extrativista como a mineração, para que possamos então cobrar uma abordagem distinta das cidades corporativas do presente e do futuro.


VIA ARCHDAILY
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Editora: Maria Karolina Milhomens

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