quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

A arquitetura temporária das bienais, festivais e exposições mundiais

Evento como bienais, festivais urbanos e exposições mundiais têm operado historicamente como um estimulante território de pesquisa e experimentação em arquitetura, cenários que viram nascer algumas das mais provocativas, controversas mas também inspiradoras obras de arquitetura e engenharia. A verdadeira importância das Exposições Mundiais, em particular, reside no fato de que oferecem aos arquitetos um contexto para que estes possam explorar novas ideias e tipologias em uma outra escala que diversamente, não seria possível. Nesta conjuntura, grandes feiras e exposições têm se estabelecido como uma espécie de plataforma para o intercâmbio de ideias e conhecimento. Desta forma, a arquitetura efêmera tornou-se um espaço de fala para que arquitetos e urbanistas possam dar voz a novas ideias para o futuro do ambiente construído de nossas cidades.

Atualmente, existem mais de 35 bienais e trienais de arquitetura acontecendo continuamente ao redor do mundo, além de outros tantos festivais ou exposições que assumem uma enorme variedade de formatos e focos, assim como a Exposição Mundial, que continua a ser realizada de cinco em cinco anos em diferentes localidades do planeta. Ainda assim, a relevância das bienais continua a ser recorrentemente questionada, principalmente em relação à sustentabilidade. Contando com investimentos econômicos estratosféricos, enormes quantidades de recursos e materiais despendidos assim como altos níveis de desperdício, estes eventos são recorrentemente vistos como a expressão de um modelo econômico de crescimento sem fim, o qual, parece estar chegando finalmente a seu ponto de inflexão. A pandemia talvez tenha exacerbado ainda mais os dilemas que cercam estes eventos de escala global, com boa parte da mídia especializada considerando este esforço um tanto supérfluo, dada a seriedade dos demais desafios que estamos enfrentando hoje. Neste sentido, alguns festivais estão procurando mudar de foco, apontando para formatos mais sustentáveis, e muitos arquitetos estão seguindo o exemplo apresentando propostas que permitem a desmontagem e reutilização de estruturas temporárias, como é o caso do Pavilhão do Japão para a Bienal de Veneza deste ano, assim como algumas das intervenções propostas para a Bienal de Arquitetura de Chicago e outras apresentadas na última edição do Festival Concêntrico.

Não podemos deixar de ressaltar o fato de que eventos como bienais e exposições mundiais têm marcado a trajetória do desenvolvimento da arquitetura e do espaço construído, servindo como incubadoras de ideias que fundamentalmente têm alavancado o progresso do campo de pesquisa em arquitetura e urbanismo. Visto que, em muitos casos, as propostas curatorias e construídas são escolhidas através de concursos e convocatórias supostamente abertas, esses eventos oferecem uma grande oportunidade para que jovens arquitetos e escritórios emergentes possam realizar as suas ideias e assumir um maior protagonismo em um meio já consagrado. Além disso, a sucessão continua de diferentes nomes—com distintas experiências—na curadoria das principais bienais do mundo, têm se mostrado uma ótima ferramenta para ampliar a nossa perspectiva sobre o significado da arquitetura no tempo presente.

Para saber mais, Confira!

Via: Archdaily Editora: Carolina Tomazoni Siniscarchio

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