quinta-feira, 28 de outubro de 2021

Projeto interseccional: transformando a prática arquitetônica para o futuro



O projeto interseccional pode ser entendido como uma abordagem que leva em conta diversos fatores — de identidade, gênero, raça, sexualidade, classe e muitos mais — e como estes interagem entre si. Considerando isso, quanto melhor compreendermos as questões relativas ao contexto específico e aos usuários para os quais projetamos nossos espaços, melhor serão nossos edifícios e, consequentemente, as cidades que estaremos construído para o futuro. 

O termo interseccionalidade foi cunhado pela jurista, professora e intelectual afro americana Kimberlé Williams Crenshaw em 1989 como elemento fundamental de sua teoria crítica de raça, na qual ela defende que muitos indivíduos enfrentam diferentes formas de discriminação simultaneamente. Projeto interseccional, então, é uma abordagem baseada em um auto-exame crítico prévio, o qual pretende desconstruir os preconceitos dos projetistas em relação a uma determinada comunidade e/ou contexto social específico.

A interseccionalidade é uma abordagem que procura dar voz as invisibilidades de uma sociedade, chamando a atenção para o fato de que é preciso muito trabalho para nos desafiarmos consistentemente a estarmos atentos a aspectos de poder que não necessariamente nos afetam individualmente. 

A abordagem interseccional reconhece os diferentes tipos de discriminação como pontos de sobreposição ou como pontos de intersecção. Desta forma, a interseccionalidade na disciplina de arquitetura e na indústria da construção civil não é apenas uma luta política ou uma simples busca por reconhecimento, ela busca o estabelecimento de uma estrutura de responsabilidade coletiva e ação em direção a práticas mais inclusivas, igualitárias e socialmente justas. 

Arquitetura é tanto função quanto estética, é tanto política quanto social, aborda questões econômicas ao mesmo tempo que procura responder a critérios de sustentabilidade. Ao abordar questões de justiça social e ambiental fazendo uso de estratégias interseccionais, arquitetas e arquitetos estão começando a ressignificar não apenas a forma como concebemos e construímos nossos edifícios e espaços, mas também o seu papel na sociedade e, principalmente, a quem seus edifícios deveriam servir. 

Para saber mais, Vale o Clique!



Via Archdaily
_______________________________
Editora: Geovana Silva

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Todos os comentários são bem vindos.
Desde que não sejam comentários anônimos.