segunda-feira, 25 de outubro de 2021

O cimento pode ser um material (mais) sustentável



“Se a indústria do cimento fosse um país, seria o terceiro maior emissor de dióxido de carbono do mundo, com cerca 2,8 bilhões de toneladas, superado apenas por China e Estados Unidos.” Essa afirmação chama muita atenção na reportagem de Lucy Rodgers para a BBC, sobre a pegada ecológica do concreto. Com mais de 4 bilhões de toneladas produzidas por ano, o cimento responde por cerca de 8 por cento das emissões globais de CO2 e é elemento fundamental para a produção de concreto, o produto mais fabricado no mundo. Para se ter uma noção, produz-se cerca de meia tonelada de cimento por pessoa do mundo todo ano, o suficiente para construir 11.000 edifícios Empire State. Com esses números impressionantes, há alguma forma de reduzir este impacto? Sim, é possível reduzir uma parte desse impacto.

Os chamados materiais de cimentação suplementares (SCMs) são geralmente subprodutos de outras indústrias, como escória da produção de aço e cobre.

Ao substituir parte do clínquer por esses materiais, o concreto adquire novas características, que podem ser desejáveis em alguns casos, mas principalmente mostram uma notável capacidade de reduzir a emissão de CO2.  Outra possibilidade é a cinza vulcânica, ao aquecer cal e cinza vulcânica a cerca de 900° C, e depois misturar isso com água do mar, atinge-se um material extremamente resistente e estável.


Mas as inovações podem ir além. A CarbonCure, por exemplo, busca reduzir as emissões de dióxido de carbono de uma forma bastante distinta. A startup canadense desenvolveu um processo chamado Mineralização de CO2, que consiste em injetar dióxido de carbono na mistura de concreto, fazendo-o reagir com os íons de cálcio do cimento para formar um mineral de tamanho nanométrico, o Carbonato de Cálcio, que fica embutido no concreto, tornando-o mais resistente. A empresa Solidia Tech tem desenvolvido experimentações em torno de uma nova receita de cimento que substitui o calcário pelo mineral wollastonita, que não elimina o dióxido de carbono. Já que não requer aquecimento. 

Além disso, ele reteria dióxido de carbono no ar durante a cura, criando um produto com emissões negativas. Como aponta este artigo, o resultado é que os blocos de concreto feitos de cimento da Solidia capturam cerca de 240 kg de dióxido de carbono para cada 1.000 kg de cimento usado na mistura. Isso além de menos emissões produzidas durante a fabricação do cimento. A crise climática tem demandado soluções urgentes e, aos poucos, a indústria da construção começa a aceitar mais materiais alternativos que possam contribuir para a mudança.

Cabe nos perguntar se, no futuro, o concreto deve manter-se o material protagonista da indústria da construção ou se é possível pensar em substituí-lo ou misturá-lo com outros materiais inerentemente menos poluentes.

Para saber mais, Confira!



Via: ArchDaily
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Editora: Carolina Tomazoni Siniscarchio

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