segunda-feira, 11 de outubro de 2021

“Nosso objetivo é recuperar a natureza nos lugares onde ela desapareceu”: Joan Batlle Blay, do Batlleiroig

Batlleiroig é um escritório de arquitetura sediado na cidade de Barcelona, cujo extenso de portfólio abrange projetos urbanos, paisagismo, edificações e design de interiores. Conversamos com Joan Batlle Blay, Arquiteto e paisagista, sócio do escritório, sobre as inovações e desafios em sua obra. Ele aponta que, “Em nosso escritório consideramos que P + D (pesquisa e desenvolvimento) é a principal ferramenta para inovar e transformar nosso método de trabalho em uma crença absoluta para o planeta.” Veja a entrevista na íntegra a seguir: 


Eduardo Souza (ArchDaily): A variedade de materiais, sistemas construtivos e escala de seus projetos é notável na obra do escritório. O que define os materiais e métodos usados em cada um deles? 

Joan Batlle Blay (Batlleiroig): Cada projeto tem seus próprios desafios e seu próprio local, é difícil dar uma resposta generalizada. A nossa forma de trabalhar segue uma metodologia de análise do território onde se encontra o projeto e do programa que se solicita, portanto, cada projeto é único e acreditamos que assim deve ser. 

Durante a análise fazemos uma leitura dos ecossistemas próximos, da paisagem natural ou antropizada e da cultura humana que define o lugar. Assim, passamos a detectar paletas de materiais, cores e / ou texturas, mas acima de tudo, entendemos a quem devemos respeitar: a natureza. Além disso, os clientes esperam esse trabalho de nós; eles querem que entendamos o território e respondamos aos problemas levantados. 

Trabalhamos para que os nossos projetos sejam um equilíbrio entre o que o local e o cliente pedem, nunca sobrepomos um ao outro e assim nos sentimos confortáveis.

ES: Como funciona a sua abordagem ao projeto de espaço público em grande escala? Qual a importância do trabalho multidisciplinar neste sentido? 

JBB: A análise do terreno é importante, seja qual for a escala do projeto. O território nunca é uma página em branco. Se analisado, dará respostas às questões levantadas. Às vezes, a resposta ou solução para um projeto, por mais complicado que pareça, está na natureza ou na agricultura.

Um exemplo é a recuperação paisagística do Aterro de Resíduos Controlados de Garraf, no Parque Natural de Garraf, um projeto de Batlleiroig. O projeto de restauração não quis imitar a natureza que existia anteriormente, também era impossível fazê-lo com mais de 100 metros de entulho por baixo. O objetivo era criar campos agrícolas com Leguminosae (comumente conhecidas como leguminosas, ervilhas ou família do feijão) que forneciam hidrogênio e vacas e ovelhas que ajudavam a criar vida em um solo que estava morto. Esses campos têm seus terraços, encostas, canais de água e suas lagoas de retenção para irrigação. Assim, foi possível trazer de volta a vida a um local repleto de plástico e metano para que finalmente se tornasse parte do Parque Natural como se fosse uma antiga área agrícola. 

Em projetos mais urbanos onde a natureza desapareceu, o objetivo pode ser resgatar essa natureza e dar-lhe um papel protagonista que nos ajude a criar um espaço saudável e confortável. Um exemplo é a cobertura da Ronda de Dalt em Barcelona.  

No nosso atelier, gostamos de dizer que somos transversais e temos conhecimentos nas mais diversas áreas, mas também é verdade que somos especialistas em várias disciplinas. Acreditamos que hoje os arquitetos ou paisagistas devem ser especialistas, mas sem perder a transversalidade que nos definiu no início do século XX. Batlleiroig constrói e baseia seu sucesso na retenção de talentos e no treinamento contínuo. Somos arquitetos, paisagistas, urbanistas, engenheiros civis, agrônomos, ambientalistas e entre toda essa formação, cada um tem suas motivações e especialidades. Isso nos torna quem somos.

Confira mais informações. Vale o Clique!


Via ArchDaily
_________________________________
Editora: Naely

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Todos os comentários são bem vindos.
Desde que não sejam comentários anônimos.