sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

Isay Weinfeld: Instituto Ling, Porto Alegre

Inserido em terreno de esquina, no bairro Três Figueiras, na capital do Rio Grande do Sul, o Instituto Ling, projeto do arquiteto paulistano Isay Weinfeld, é uma caixa que parece flutuar e acomoda programa didático-cultural.


A caixa em que o arquiteto Isay Weinfeld inseriu o programa de um centro de cursos e de apresentações culturais é um exercício de distribuição da luz natural nos interiores. A implantação, aproximadamente um quadrado de 30 metros de lado, ocorre em terreno de esquina, localizado na rua João Caetano, 440, em Porto Alegre, protegida da via pela intermediação de suave talude.

Dessa forma, o térreo – a construção conta ainda com um pavimento inferior, de fruição do público, e um subsolo destinado à garagem – está solto do terreno, apoiado sobre pilares recuados e invisíveis desde o exterior. O andar, que agrega galeria de acesso/recepção, café, auditório para até cem pessoas e salas para cursos, é acessível por meio de rampa lateral externa, que, caracterizada pelo desenho sinuoso, é presença recorrente e marcante em projetos do arquiteto.

As fachadas frontal e lateral, por onde ocorre o acesso ao instituto, têm, respectivamente, orientação sudoeste e sudeste, sendo a primeira semitransparente (brises com angulação de 45 graus vedados com painéis de vidro piso-teto estão contidos nessa face flutuante) e a segunda uma superfície cega, interrompida apenas pela porta principal envidraçada. Os brises, então, proporcionam a iluminação amena à galeria de acesso, cuja ambiência clara (paredes e forros brancos, piso cimentado cinza) contrasta com o invólucro de madeira dos nichos programáticos a ela conectados. Já a setorização foi planejada de modo a posicionar no miolo da construção, onde é ausente a iluminação natural, ambientes estanques, como o auditório, ou de menor permanência, com a exceção da recorrência à luz zenital sobre a escada de ligação com os andares abaixo.

O pavimento inferior – semienterrado, graças ao caimento do terreno para o lado esquerdo – tem programa misto, didático (ambientes para aulas de culinária), de eventos (sala multiúso) e administrativo, também com acesso direto para a rua, reservado ao fluxo de funcionários. E, junto à sua fachada noroeste, um pátio aberto resguarda a construção em relação ao exterior, servindo de fonte de luz natural e cenário para o espaço de eventos. Enxuto em detalhes, o projeto tem o mérito de acomodar programa denso com a extrema simplicidade de sua linguagem arquitetônica. (Por Evelise Grunow)

Via Revista Projeto

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