terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Designer recupera prédio dos anos 1950 construído pelo avô






Gabriel Valdivieso faz renascer o Edifício Marieloisa, na Alameda Glete, no bairro Santa Cecília, em São Paulo. A partir de domingo, uma exposição ocupa o térreo do prédio.

Reforçando o cada vez mais visível movimento de recuperação do bairro de Santa Cecília e seus arredores no Centro de São Paulo - marcado por um período de deterioração entre os anos 1970 e 2010 -, um simpático edifício da região acaba de passar por um extenso retrofit que Devolve todas as características do projeto original. Trata-se do Edifício Marieloisa, na tradicional alameda Glete, construído pelo avô do designer de interiores Gabriel Valdivieso , que agora assina o projeto de revitalização do prédio, divididos 24 apartamentos - com áreas entre 35 e 46 m², serão disponibilizados para locação.


“A família possui uma história no bairro”, conta Paulla de Lima Vieira, diretora da CAVN, empresa responsável pela reforma . “Os avós do meu marido se casaram na Paróquia de Santa Cecília, na década de 1930. Nessa época, era bairro Nobre e valorizado. Com a construção do Minhocão, na década de 1970, veio um período de desvalorização e decadência. Mas a região conta com estações de metrô, hospitais, universidades e perto de praticamente tudo. Nos últimos anos foi ocupada por um público jovem e apaixonado pelas características singulares do bairro. Começaram a surgir bares interessantes, restaurantes , pequenas galerias de arte, livrarias. Simultaneamente, o Minhocãopassou a ser fechado à noite, aos sábados e aos domingos, transformando-se em área de lazer nos finais de semana. Há um renascimento cultural e urbanístico na região ”, relata ela.

“O retrofit completo do edifício Marieloísa, da década de 1950, mantendo as características originais da fachada, faz parte desse renascimento. Estamos muito felizes com isso. Santa Cecília é a cara de São Paulo, e eu recebi o nome de Paulla porque nasci em 25 de janeiro, aniversário de fundação da cidade ", completa.

Passado de glórias

A meio caminho entre o então sofisticado bairro de Campos Elíseos , com suas mansões do século 19 - lar de nomes ilustres, como o aviador Santos Dumont - e os casarões da avenida Paulista, Santa Cecília viveu seu apogeu na primeira metade do século 20. Não O Largo, uma paróquia de Santa Cecília, inaugurada em 1901, trazia as obras dos pintores Benedito Calixto e Oscar Pereira da Silva. A poucos passos, na rua Sebastião Pereira, onde hoje funciona a sede de um banco, instalou-se na década de 1940 a renomada Casa Clipper, uma das primeiras lojas de departamento da cidade, e o primeiro estabelecimento a ter, vejam só, uma escadarolante. Do outro lado da praça, não muito distante, a refinada Doceria Paulista e o elegante Lord Palace Hotel, na rua das Palmeiras, serviço de referência para o bairro por décadas a fio.

Mais tarde, marcado na memória deste repórter o incrível cine Comodoro, inaugurado em 1959 na avenida São João, 1.462, onde assisti ao primeiro filme da trilogia Guerra nas Estrelas, em 1979. A sala de exibição era a primeira do País com o sistema Cinerama, o avô do 3D: três enormes projetores no centro da sala, com a tela curva, que abraçava a plateia, além do novíssimo "som estereofônico", que fez a sala tremer. Nunca mais houve um cinema assim na cidade.

Riqueza de detalhes

O trabalho minucioso de resgate dos elementos originais é motivo de orgulho para o designer de interiores: "O retrofit do Edifício Marieloisa é um projeto afetivo, que não apenas renovou toda a infraestrutura dos anos 1950, fez melhorias de layout e implementou soluções acústicas e térmicas , mas que também cuidou da preservação da identidade do bairro de Santa Cecília, tendo sua fachada avarandada restaurada com uma mesma pastilha de precisão à época. Preza pelo conforto de seus moradores e pretende que seu comércio, no térreo, se escancare para a Alameda Glete, trazendo fluxo de pessoas e segurança para a região do Minhocão ”, conta Gabriel.

“Além do lado prático, este prédio faz parte da história da minha família, foi construído por meu avô, e, no ano de 2018, comprado por meu irmão, que empreendeu e investiu no retrofit", explica o autor do projeto.

Ocupação artística

No térreo do edifício, as duas lojas comerciais que ainda não foram locadas servirão para inaugurar o projeto, a partir do dia 13 de dezembro (domingo). A Galeria Leme e a Central Galeria apresentam uma mostra especial ocupando o Edifício Marieloisa, com obras do peruano José Carlos Martinat e do paulistano Rodrigo Sassi. Cada qual a seu modo, os dois artistas recorrem à paisagem urbana na composição de seus trabalhos, criando um diálogo direto com o edifício que agora os recebe e dá título à exposição.

José Carlos Martinat , representado pela Galeria Leme, dedica-se a pensar sobre a passagem do tempo e suas marcas no contexto urbano. Seus trabalhos pretendem apreender e conservar um momento, destacando-se o fluxo constante de destruição e construção, em que as grandes cidades estão nas proximidades. As delicadas películas soltas no espaço são fragmentos da visualidade urbana. Extraídas diretamente de muros da cidade por um processo de transferência, aparecer como reminiscências do passado.

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Via Casa Vogue

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