quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Barcelona prevê aumento de áreas verdes a partir de 2022

A medida que se atenta, sobretudo, a ciclistas e pedestres, será desenvolvida por meio de implantações de pequenos parques e praças com tempo de execução estipulado para 10 anos. 

A organização urbanística de Barcelona acaba de divulgar a continuação de suas ações para melhorias sua região central. Uma em cada três ruas da região será convertida em eixos verdes com a intenção de priorizar pedestres e ciclistas, em detrimento a veículos. O planejamento prevê modificações em 21 cruzamentos para conversão em espaços públicos, de maneira que aqueles que moram, transitam e usufruem do espaço tenham sempre acesso a um parque próximo, possivelmente a menos de 200 metros.

A ação prevê implantação das áreas ao longo dos próximos 10 anos, com um custo estimado de US$ 44 milhões. Sabe-se ainda que este projeto é uma variante do conceito das “Superilles” (“Superquadras”, em português), um desenho que limita o trânsito de automóveis em uma área de 9 quarteirões, permitindo que os veículos circulem apenas ao redor destes espaços, numa tentativa de tirar espaço dos carros e devolver para as pessoas, já que 60% do espaço público é atualmente ocupado por automóveis.

"Queremos que Barcelona seja uma cidade sustentável, boa de se viver! Sabemos que hoje, nos nossos espaços públicos, temos muitas atividades sociais e comunitárias, mas também que o espaço público é dominado pelo transporte individual em carros – sejam veículos em movimento ou estacionamentos para esses veículos”, explica ao CicloVivo, Janet Sanz, responsável municipal pelos setores de ecologia, urbanismo e mobilidade.

O distrito de Eixample, parte da região central da cidade, será o primeiro a receber as mudanças por áreas verdes, com a limitação de tráfego e estacionamento em 21 vias, e implantação de ciclovias, bicicletários, parques infantis e áreas verdes.

“O plano Cerdà foi desenhado para modernizar a Barcelona no final do século XIX e alcançar melhores condições de saúde pública”, sinaliza o projeto. “No contexto atual, essa grande área da cidade é mais uma vez uma excelente oportunidade de recuperar este espírito de transformação urbana e atualizar o plano Cerdà no século XXI”.

Segundo o que se sabe, a proposta original do urbanista Salvador Rueda sempre objetivou reduzir os níveis de poluição sonora e atmosférica para incentivar cada vez mais um número maior de pessoas à prática de atividade física em espaços abertos e públicos, aumentando áreas verdes e combatendo ilhas de calor.

O novo planejamento, por sua vez, consiste em uma versão simplificada dos das Superillas, pois bloqueia o tráfego de veículos em trechos específicos. “Existe uma resistência à limitação do uso de veículos em Barcelona”, pontua Mark Nieuwenhuijsen, professor e pesquisador do Instituto de Saúde da Universidade de Barcelona, responsável pelo estudo de impacto da medida sobre a saúda da população.

Alguns comerciantes, em contrapartida, acreditam que limitar a circulação de carros poderia impactar negativamente o volume de vendas, mesmo quando as pesquisas apontam que os pedestres estão mais propensos a observar vitrines do que quando no papel de motoristas.

Via Revista Projeto

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