domingo, 18 de outubro de 2020

Uma vila no caminho contrário do novo urbanismo

Com ideias semelhantes ao projeto do Apple Park (imagem), a nova Villa XP nasce com a proposta de “estimular a convivência das pessoas”. Mas, distante da cidade de São Paulo e avessa ao adensamento, ela dificilmente proporcionará os desejados encontros ocasionais a que se propõe.

Aos olhos dos urbanistas, convivência e trocas pressupõem densidade populacional, diversidade, riqueza cultural. Espaços abertos, transitáveis pelos cidadãos sem nenhum impedimento, integrados à cidade, de fácil acesso, que gerem uma sensação de comunidade, pertencimento. Local de encontros ocasionais, que os urbanistas denominam “Ballet das Ruas”, principal ingrediente do estímulo de convivência e intercâmbio de conhecimentos.

Uma vila com a proposta de “estimular a convivência das pessoas”, como foi anunciada pela XP Investimentos, localizada a uma hora da cidade de São Paulo, com heliponto, fácil acesso a aeroportos e a rodovias de excelente qualidade, destoa da própria finalidade a que se propõe.

É difícil pensar como fazer essa mágica acontecer em 500 mil m². Mesmo quando presentes, simultaneamente, os 2.700 funcionários da empresa. Ainda que levassem para a área suas famílias, não gerariam qualquer adensamento populacional.

A área da JHSF pode ser, além de um excelente negócio, um retiro espiritual, um clube privado para grandes investidores, um belo veículo para alocar os recursos dos FIIs, mas dificilmente proporcionará os desejados encontros ocasionais.

Além da inexistência de densidade humana, faltará diversidade — e cidades prosperam pelas trocas culturais. Já a crença de uniformização de pessoas, a começar pela padronização estética dos coletes, é a antítese da criatividade, detectável nos parques tecnológicos mundo afora, estes sim, mecas da inovação, onde nos deparamos com diversidades criativas e culturais na forma, por exemplo, de tatuagens, piercings, moicanos e múltiplas cores.

Mais detalhes, Confira!


Via Caos Planejado

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