quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

Como as smart cities podem agravar a desigualdade

As metrópoles urbanas de nosso planeta são o lar de uma abundância de histórias. Elas são o lar de histórias de riqueza, de inovação e de maravilhas arquitetônicas, assim como de histórias de desigualdade, iniquidade e segregação urbana lugares onde a renda determina a qualidade do ambiente espacial ao seu redor. Dentro destas histórias se desenvolveu uma crescente defesa para tornar as cidades "mais inteligentes", para usar dados e tecnologia digital para construir ambientes urbanos mais eficientes e convenientes. O problema é que em muitos contextos, o impulso para tornar cidades mais inteligentes, pode aumentar a desigualdade já existente de um local, se as questões urbanas estruturais não forem abordadas.

A definição do que constitui exatamente uma cidade inteligente é variada, mas, em geral, elas podem ser definidas como cidades, que visam utilizar tecnologia de coleta de dados e infraestrutura modernizada, para proporcionar ambientes urbanos mais eficientes e convenientes para os habitantes de uma cidade. Um exemplo seria a iniciativa de Yokohama de reduzir o congestionamento e a poluição veicular, implementando um serviço de compartilhamento de carros elétricos, aumentando o número de motoristas destes veículos na cidade japonesa. A smart city é sinônimo de uma cidade mais digital, onde a tecnologia digital é implantada para controlar o consumo, e reduzir as emissões de carbono. Esta digitalização por mais que seja retratada como benéfica à vida dos residentes, tornando os serviços prestados pelo governo mais acessíveis, na verdade, bloqueia os habitantes de uma cidade que não têm acesso a dispositivos como smartphones e computadores para acessar determinados serviços.

A capital de Ruanda, Kigali, deu grandes passos na redução da poluição em suas áreas urbanas, com a recente elaboração do projeto para uma "Cidade Visão", criando um bairro com tecnologia Wi-Fi gratuita na praça da cidade e lâmpadas movidas a energia solar. O projeto, no entanto, sofre de um problema familiar da cidade inteligente, ao não contextualizar as realidades socioeconômicas, pois os habitantes foram removidos à força para dar lugar ao projeto. Além disso, as casas vendidas na "Cidade Visão" chegaram ao alto preço de 160.000 dólares, fora do alcance dos cidadãos comuns.

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Via: Archdaily

Editora: Carolina Tomazoni Siniscarchio


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