domingo, 27 de fevereiro de 2022

Centro Cultural Chamanga



Chamanga é uma vila de pescadores no estuário do rio Cojimíes, Esmeraldas. Após o terremoto de abril de 2016, que afetou severamente 80% de seus edifícios, a maioria dos habitantes migrou para o interior. O desastre gerou uma situação de transição física e social, ao mesmo tempo em que acentuou as desigualdades históricas que colocaram 100% da população de Chamanga abaixo da linha de pobreza.  


Desde 2009, a organização local Opción Más tem executado programas culturais para crianças e jovens, focados em resgatar e fortalecer sua herança afro-equatoriana e Montubia. Após vários anos de atividade, a casa que usaram para seus programas foi destruída pelo terremoto.  O Centro Cultural Chamanga é o resultado de uma colaboração de longo prazo entre o povo de Chamanga, o meio acadêmico e as organizações da sociedade civil.

A liderança das professoras e professores de Chamanga ao longo do processo gerou oportunidades para o intercâmbio de conhecimentos, integrando a tradição local de construção social recíproca - a minga - com a metodologia acadêmica da oficina 1:1. Isto foi decisivo tanto para a adequação e relevância do edifício, quanto para o fortalecimento do processo social e organizacional do qual a construção faz parte.

A Universidade Estadual de Portland participou do processo de projeto e construção da primeira fase, enquanto a Universidade de Ciências Aplicadas de Munique liderou a segunda fase. Ao longo do processo, Atarraya Taller de Arquitectura e Opción Más, juntamente com outros atores de Chamanga, lideraram a pesquisa, a participação e o processo de implementação no território. 

O PROJETO

Localizado em um lote de 9x15m de divisão, o projeto é organizado em duas barras paralelas ao redor de um átrio central de pé-direito duplo. Durante apresentações e grandes eventos, o átrio se abre para a rua, integrando o edifício com o espaço público.

O Centro está enraizado em seu contexto, usando referências da arquitetura vernacular da região, ao mesmo tempo em que se distingue por sua escala e reinterpretação dos sistemas tradicionais. O piso térreo, em tijolo e concreto armado, responde às preocupações locais de segurança, protegendo os materiais naturais da água e dos xilófagos. O piso superior é sustentado por madeira e bambu guadúa. O revestimento de cana triturada e as celosías de guaduá filtram a luz e permitem a ventilação adequada do espaço.


Via Archdaily
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Editora: Naely Ferreira da Cruz

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