segunda-feira, 15 de novembro de 2021

Relações de poder e desigualdade em mapas: uma análise urbana através da cartografia




Humanos são seres sensoriais, e como tais, se relacionam com o mundo através de suas experiências vividas, mas, além disso, há outra forma pela qual podemos compreender o mundo no qual vivemos, isto é, através da uma representação bidimensional inventada pelo homem—os mapas. A cartografia, muitas vezes, é utilizada para delinear fronteiras e estabelecer limites, e desta forma têm sido utilizada historicamente como uma ferramenta de opressão e segregação.

 A projeção cilíndrica do globo terrestre, ou Projeção de Mercator, é um ótimo exemplo de como a cartografia bidimensional distorce fortemente a realidade física e visível. Este efeito é responsável por uma série de imprecisões geográficas, como a Groenlândia, que nos mapas de projeção cilíndrica, parece equiparável à América do Sul, quando na verdade, possui apenas um oitavo de sua área. No que se refere ao planejamento urbano, mapas são utilizados como uma ferramenta auxiliar para determinar a forma e a maneira como construimos nossos espaços urbanos. Entretanto, esses mapas tendem a ser vistos apenas como estruturas auxiliares e representativas, completamente desconectados da miríade de experiências “reais” que compõe um determinado território físico.

O Plan Voisin, concebido por Le Corbusier em 1925, é uma representação muito objetiva de como mapas podem ser utilizados para contar uma história e vender uma ideia. A proposta delineada por Le Corbusier no Plano Voisin consistia na demolição de três quilômetros quadrados do centro histórico de Paris para a implantação de um novo urbanismo, composto por 18 torres em planta cruciforme, dispostas segundo uma malha retangular em meio a uma grande área verde acessível.

De forma semelhante ao Plan Voisin de Le Corbusier, o mapa de Rabat de 1922 também representa um esforço para controlar o território urbano. As linhas amarelas no mapa de Rabat foram traçadas sobre as ocupações já estabelecidas, penetrando arbitrariamente o tecido histórico tradicional da cidade marroquina. O mapa também sugere a negligencia dos planejadores em relação ao bairro de Medina, enquanto os bairros europeus a oeste e sul do cento da cidade podem crescer livremente enquanto a população local é obrigada a viver em condições precárias em áreas sem qualquer tipo de investimento em infraestrutura pública.

Nos dias de hoje, felizmente, temos testemunhado uma completa mudança de direção em relação ao planejamento urbano e as políticas públicas em diversas cidades e países. Mapas representativos são complementados com informações coletadas “in loco”, dados oriundos também de uma maior participação e engajamento das comunidades locais afetadas. Vemos nas sociedades de hoje um número quase infinito de ferramentas legais à disposição dos planejadores e urbanistas mas não só, permitindo ainda que os cidadãos possam criar seus próprios mapas desde o conforto de suas casas.



VIA ARCHDAILY
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Editora: Maria Karolina Milhomens

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