sábado, 23 de outubro de 2021

Rompendo o estigma estético da habitação social


Historicamente, a estética e a funcionalidade representam dois dos principais valores relacionadas à arquitetura e ao planejamento urbano — e isso não é diferente quando lidamos com projetos de habitações sociais e acessíveis. Embora os princípios de beleza e utilidade, com a adição do conceito de firmeza, tenham sido utilizados para definir à arquitetura desde Vitrúvio, por outro lado, ao analisarmos a paisagem construída através destas três lentes apenas, acabamos deixando de contemplar uma série de outros importantes aspectos que caracterizam estas duas disciplinas. Frutos desta nossa inaptidão em perceber os diferentes valores que a arquitetura engendra são o preconceito em relação as qualidades (ou da suposta falta delas) estéticas em projetos de habitação social e habitações acessíveis, a estereotipação dos aspectos socioeconômicos que as fazem necessárias e o discurso discriminatório associado as pessoas que se beneficiam destas políticas habitacionais. Habitações acessíveis são estruturas de propriedade de incorporadores privados, investidores ou corporações. O financiamento para a construção de unidades acessíveis é obtido tanto através de meios públicos quanto privados—variando enormemente de caso para caso. Apesar do tendencioso termo “habitações acessíveis”, apenas uma pequena fração das unidades destes edifícios são acessíveis de fato e, além disso, o subsídio neste caso é apenas temporário. 

Todos desejamos uma casa bonita para morar. Neste sentido, há uma série de novos projetos sendo construídos que visam transformar o paradigma da habitação a preços acessíveis. Entre as várias estratégias adotadas estão o uso de novos materiais, a integração de espaços públicos e áreas comerciais no térreo. Alguns dos novos projetos residenciais construídos nos Estados Unidos—os quais incluem algumas unidades comercializadas a preços acessíveis—chegam até a rivalizar com os seus vizinhos condomínios de luxo, como é o caso do Edifício Sierra Bonita, orçado em pouco mais de 13 milhões de dólares. Além de suas 42 unidades, o condomínio com unidades de habitação acessível conta ainda com um centro comunitário e de atenção a pessoas com deficiência.



VIA ARCHDAILY
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Editora: Maria Karolina Milhomens

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