domingo, 13 de setembro de 2020

Tombamento da maquete de Salvador: o “modelo reduzido” de Assis Reis

No dia 20 de agosto teve início o processo de tombamento da maquete de Salvador, que se encontra em exposição na Associação Comercial da Bahia, na capital baiana. A maquete, que estará aberta à visitação por meio de agendamento até 18 de setembro de 2020, começou a ser idealizada no começo da década de 70 pelo arquiteto Assis Reis. Desde então, continua a ser atualizada por uma equipe de artesãos da Prefeitura Municipal de Salvador com o objetivo de representar as mudanças urbanas na cidade, mantendo, assim, a ideia original da sua criação.

O “modelo reduzido”, como a maquete era chamada por Assis, foi proposta à gestão municipal em 1973, quando começou a ser montada em um espaço no próprio escritório do arquiteto, no bairro do Comércio, até sua transferência para uma área disponibilizada pela prefeitura de Salvador, com o objetivo de dar continuidade ao seu trabalho de montagem.

A intenção do arquiteto era de que a maquete pudesse servir como instrumento para o planejamento urbano da cidade, expondo aquelas intervenções que julgava inadequadas justamente pela falta de um planejamento apropriado. Na ideia inicial de Assis, a maquete também permitiria aos cidadãos soteropolitanos o conhecimento do espaço da sua cidade ao ver representadas todas as edificações existentes, por meio de uma técnica de fácil compreensão da urbis.

“Com o modelo reduzido da cidade de Salvador, duas mil vezes menor que sua dimensão real, proponho o conhecimento da cidade de modo concreto, através da valorização de sua configuração urbanística ao longo do tempo, intencionando torná-lo instrumento para o autoconhecimento da cidade pela população ou para o despertar desse interesse. Essa conscientização deverá estimular um sentimento comunitário em defesa da recodificação da legislação, tendo como suporte às atividades turísticas e de comunicação com a população” - Assis Reis

Naquele momento a tecnologia ainda não amparava a arquitetura e o urbanismo da forma como acontece hoje. Os softwares de modelagem bidimensional e tridimensional considerados tão necessários e usuais atualmente ainda não haviam sido lançados, assim como os mapeamentos via satélite disponíveis hoje na internet. Desta forma, os dados relativos às dimensões e alturas foram transpostos inicialmente para a maquete por meio de aerofotogrametrias realizadas nos anos 1956, 1965 e 1972, além do auxílio de coordenadas geodésicas.

A topografia particular da cidade de Salvador, marcada pela presença de vales e cumeadas com acentuadas diferenças de níveis, é representada na maquete por folhas de cortiça. Para as edificações, o material selecionado foi a madeira balsa, devido, entre outros fatores, ao seu fácil manuseio, durabilidade e resultado estético. Os corpos d’água, como o Oceano Atlântico e a Baía de Todos os Santos, são representados em acrílico, e a base da maquete é estruturada em alumínio e eucatex. Ao observar o conjunto, é possível notar como o contraste das tonalidades dos materiais, devido à passagem do tempo, reforça o caráter mutável do modelo como forma de acompanhar as transformações pelas quais a cidade passa a todo momento.

A construção da maquete pode ser dividida em quatro etapas. A primeira, que corresponde ao período entre 1973 e 1975, engloba a produção dos 49 módulos iniciais. Entre os anos de 1975 e 1977, a maquete fica esquecida num depósito da Polícia Administrativa da Prefeitura até ser resgatada por Assis em 1977 e transportada para o segundo andar do Cine Tupy no ano seguinte. Entre 1980 e 1982, na segunda fase de construção, são desenvolvidos mais 24 módulos para apoiar o novo Plano de Desenvolvimento de Salvador (PLANDURB). Na terceira fase, entre 2015 e 2017, são criados mais 6 módulos e na quarta e última fase, entre 2018 e 2019, são incorporados mais 39 módulos, elaborados pela Bustamante Maquetes, sediada em Joinville. Hoje, toda a porção continental do município (402 km²) é representada pela maquete em uma área de 100,5 m² distribuida nos 97 módulos de 1m x 1m e 7 módulos de 1m x 0,5m.

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Via Archdaily

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