sábado, 23 de maio de 2020

Arquitetura pós COVID-19: a profissão, os escritórios e os autônomos

À medida que alguns países estão pouco a pouco retomando as suas atividades, abrandando as medidas de contenção e isolamento que nos foram impostas ao longo dos últimos meses, arquitetos do mundo todo estão procurando entender melhor como será a sua vida na chamada ‘nova normalidade’. Como uma ruptura drástica e repentina em nossos modos de vida, o surto de coronavírus nos apresentou uma nova forma de encarar o mundo, redefinindo o próprio conceito de “normalidade”, provocando uma mudança na maneira como nos relacionamos com o mundo a nossa volta. Impulsionados por uma série de questões latentes, estamos lidando com um fenômeno ainda muito recente, antecipando um futuro relativamente desconhecido.

Durante um bate papo informal, dois dos nossos editores tiveram a ideia de escrever um artigo colaborativo onde procuram investigar as principais tendências do atual momento, debatendo questões relacionas às incertezas do futuro e oferecendo a sua visão sobre como a atual situação poderá afetar a disciplina da arquitetura daqui para frente. Abordando uma possível mudança de paradigma, no cenário profissional e principalmente no ensino da arquitetura, este artigo escrito à quatro mãos por Christele Harrouk e Eric Baldwin visa lançar uma luz sobre este nebuloso momento que estamos atravessando.

O campo profissional
Embora seja impossível prever o futuro, podemos criar algumas analogias lógicas com base na atual situação e em como os arquitetos reagiram a este momento de crise. Rapidamente, profissionais ao redor do mundo se prontificaram a ajudar disponibilizando seus conhecimentos e engajando-se na luta em combate à disseminação do surto de coronavírus, criando soluções inovadoras que ajudaram a salvar milhares de vidas e que poderão nos ajudar muito nos próximos anos. Enquanto alguns arquitetos se dedicaram a projetar estruturas e instalações temporárias, outros se disponibilizaram a repensar estruturas e infra-estruturas urbanas. Na reflexão que será apresentada à seguir, nossos editores procuram identificar de que forma a nossa profissão poderá – e deverá – evoluir, discutindo sobretudo novos projetos e o papel das cidades inteligentes para o futuro da arquitetura.

Abordagens interdisciplinares: Se tem algo que esta pandemia nos ensinou é que a arquitetura por si só não é capaz de salvar o mundo. À medida que formos retomando as nossas atividades ao longo dos próximos meses, ficará claro que a maneira como nos relacionarmos com o espaço construído não será mais a mesma. Novas abordagens interdisciplinares, que estão surgindo aos montes como resposta imediata à atual crise sanitária mundial, podem oferecer uma visão mais holística sobre a nossa própria disciplina, proporcionando abordagens alternativas para lidarmos com as questões globais mais urgentes. O trabalho colaborativo desenvolvido em parceira entre arquitetos e outros profissionais deverá assumir proporções jamais vistas, impulsionado pelo trabalho remoto e as novas tecnologias, aproximando profissionais das mais diversas disciplinas, integrando à prática da arquitetura conceitos de saúde pública, mobilidade e transporte, psicologia ambiental, biofilia e até mesmo agricultura urbana, para citar alguns.

Projetos futuros: Projetos emergenciais e estruturas temporárias são tópicos que devem assumir uma posição central em nossa disciplina ao longo dos próximos anos. Fundamentalmente utilizadas em tempos de guerra, em situações de emergencia causadas por desastres naturais e mais recentemente, para acolher um crescente número de refugiados ao redor do mundo, estruturas temporárias emergenciais passarão a desempenhar um papel cada vez mais decisivo no combate à doenças e epidemias – e que ninguém esqueça que guerras, desastres naturais e imigração em massa continuarão existindo. A sustentabilidade consolidará sua prevalência como elemento indispensável em todo e qualquer projeto de arquitetura, e a tendência é que a busca por auto-suficiência seja ainda mais manifesta. Por outro lado, a construção maciça de estruturas temporárias e emergenciais, na maioria dos casos em áreas subtilizadas, está transformando decisivamente os espaços ociosos de nossas cidades. O emprego do reuso adaptativo está se tornando vital para a arquitetura neste atual momento de crise, permitindo agir rápida e efetivamente. Considerado um dos principais aliados da sustentabilidade na arquitetura, o reuso adaptativo deverá finalmente ganhar a importância que merece, colaborando e muito com a estabilidade da industria da construção civil que inevitavelmente, sofrerá sérias consequências em um curto espaço de tempo.

Repensando o conceito de casa: À medida que o tempo vai passando e as medidas de isolamento continuam perdurando, os espaços íntimos estão ganhando cada dia mais importância em nossas vidas. Na verdade, é bem provável que a maioria dos nossos espaços domésticos já não sejam mais os mesmos. Da noite para o dia deixamos de sair de casa todos os dias, e então, algo mudou. A qualidade e o conforto do espaço doméstico passaram a ser uma prioridade para todos nós, assim como mudaram nossas principais exigências e necessidades. Em nosso confinamento, passamos a repensar de que forma nossas casas, apartamentos e edifícios poderiam ser mais agradáveis: áreas verdes e jardins, coberturas acessíveis, iluminação e ventilação natural eficientes, varandas e terraços generosos, espaços internos aconchegantes e acolhedores, etc.

Novos parâmetros: Com um foco renovado em abordagens orientadas ao bem-estar e a saúde dos usuários, novos parâmetros deverão ser estabelecidos. A maneira como projetamos nossos edifícios deverá mudar, assim como os materiais mais frequentemente utilizados. No curto prazo, soluções modulares e estruturas pré-fabricadas serão aquelas mais comuns, espaços flexíveis e estruturas leves continuarão a ganhar espaço na indústria da arquitetura e construção. A longo prazo, podemos dizer que as medidas de distanciamento social jamais serão esquecidas, passando a fazer parte – consciente ou inconscientemente – do processo de concepção dos projetos de arquitetura daqui pra frente. Como resposta, novos materiais estão sendo desenvolvidos, como aqueles que evitam ou impedem a disseminação do vírus.

Para conferir a matéria completa, Vale o Clique!

Via ArchDaily

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