quinta-feira, 30 de abril de 2020

Restauro da Catedral de Notre Dame é suspenso devido à pandemia de coronavírus

Na tentativa de conter o avanço dos contágios de COVID-19 no país, e a consequente superlotação dos hospitais – o que tem se mostrado uma combinação fatal –, uma série de medidas foram tomadas pelo governo francês recentemente. Neste contexto, várias obras em andamento foram paralizadas na França, incluindo os trabalhos de restauro da Catedral de Notre Dame em Paris. Enquanto as obras de consolidação da estrutura da igreja estavam muito perto de serem concluídas, os trabalhos de reconstrução do pináculo e da estrutura do telhado, assim bem como a remoção dos andaimes derretidos durante o incendio do ano passado, foram interrompidas sem data prevista de retorno.

Um ano já se passou desde o fatídico dia 15 de abril de 2019, quando um incêndio no Domingo de Páscoa consumiu por completo a estrutura da cobertura da catedral, colocando abaixo o pináculo central da Notre Dame de Paris. As obras de reconstrução da catedral já haviam sido paralisadas por uma série de diferentes motivos, como questões burocráticas, mau tempo e a quantidade de entulho e escombros que ainda precisam ser removidos do interior do templo. O projeto de reconstrução e restauro está sendo gerenciado pelo General Jean-Louis Georgelin, diretamente nomeado pelo presidente francês Emmanuel Macron, assim com pelo o arquiteto responsável Philippe Villeneuve. Tendo como meta principal a estabilização da estrutura global do edifício, a primeira etapa do projeto consiste na instalação de uma série de estruturas de travamento para equilibrar cada um do vinte e oito contrafortes da igreja assim como para protejer a estrutura dos pilares danificados pelo incêndio. Sob a supervisão técnica do arquiteto italiano Carlo Blasi e do engenheiro francês Mathias Fantin, os trabalhos de consolidação da estrutura da catedral estão muito perto de serem concluídos.

Originalmente instalado para dar suporte aos trabalhos de restauro do pináculo da Catedral ainda antes do incêndio do ano passado, os andaimes acabaram derretidos pelo incêndio. Os trabalhados de remoção dos entulhos do incêndio deveriam ser iniciados no último dia 23 de março, porém, devido às novas medidas instauradas pela luta em combate a disseminação do surto de coronavírus no país, as autoridades francesas decidiram adiar o início desta demorada e complexa e tarefa. A operação, conforme havia sido planejada, exige que os trabalhadores acessem o interior do edifício por cima, suspensos por cordas atadas à guindastes, para que assim possam cortar os tubos derretidos que estão presos na estrutura principal do edifício sem correr riscos desnecessários.

Construído em 1860 para substituir a torre central removida em 1792, o novo pináculo não era exatamente uma estrutura medieval. Durante a grande restauração, levada à cabo por Viollet-Le-Duc no século XIX, os principais esforços se concentraram na criação de uma nova torre, mais alta e que se destacasse no skyline parisiense, reforçando a sua importância simbólica em meio a uma Paris em completo processo de modernização. Embora o atual presidente francês, Emmanuel Macron, tenha expressado vagamente o desejo de debater o futuro da catedral a partir de um lugar menos conservador, o arquiteto responsável pela obra – quem ele mesmo havia nomeado – Philippe Villeneuve, revelou rapidamente e sem rodeios que o pináculo projetado e construído por Viollet-le-Duc seria reconstruído tal e qual como era antes do incêndio do ano passado. A comunidade de restauradores não titubeou sequer um segundo em afirmar que esta seria a melhor solução a ser tomada, e que o pináculo deveria ser reconstruído respeitando as tradicionais técnicas de construção da época em que havia sido construído, seguindo os princípios elencados na famosa Carta de Veneza. Embora nenhum comunicado oficial – que contenha mais informações à respeito das intenções do projeto que parecia estar sendo implementado – tenha sido emitido, as obras parecem ter sido iniciadas desconsiderando o apelo da comunidade internacional de arquitetos por um debate amplo e democrático à respeito do futuro de um dos mais simbólicos edifícios da história da humanidade. Seguindo a suspensão das obras que estavam em andamento, as autoridades francesas declararam que até 2021 nenhuma decisão será tomada. Mais detalhes, Vale o Clique!

Via ArchDaily

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