quinta-feira, 9 de abril de 2020

A casa do filme Parasita e seu arquiteto fictício

O filme sul-coreano que ganhou Palma de Ouro no Festival de Cannes 2019, dirigido e roteirizado por Bong Joo-Ho, conseguiu sintetizar o contraste social do nosso tempo no jeito de morar de duas famílias. E me tocou profundamente a delicadeza com que a casa principal, projetada por um arquiteto fictício, chamado Namgoong Hyeonja, se torna o desejo e o símbolo de ascensão. Não é o carro. Não é o tênis. Não é a jóia. É a casa. Ou… talvez… seja o Sol.

Em entrevista a revistas internacionais logo que o filme foi lançado, diretor Bon Joo-Ho disse que a casa, personagem importante desse enredo, precisava de muito Sol. Segundo ele, a classe social em que uma pessoa está inserida determina a quantidade de luz natural que ela receberá durante o dia. Quanto mais pobre, menos janelas ou janelas menores. Quanto mais rico, mais janelas e janelas maiores. Esse briefing foi fundamental para o cenógrafo Lee Ha Jun, que percorreu inúmeros terrenos vazios observando exatamente como era o deslocamento da luz do Sol ao longo do dia. Era preciso também entender a locação com o olhar de um arquiteto moderno e famoso. Na história, a governanta da casa fala de Namgoong Hyeonja como se ele fosse, efetivamente, um profissional conhecido (eu confesso que queria muito ligar o celular no meio do filme para checar no Google se o arquiteto existia mesmo).


Ainda segundo a governanta, o arquiteto fizera a casa para ele mesmo e fora o seu primeiro morador. Pensando nisso, Lee começou a desenhar o projeto em programas de computador. Até que chegou à configuração ideal – que contava, como principal elemento, com o janelão da sala. Ao achar o lote perfeito, a equipe de produção construiu a fachada e todo o andar térreo, com jardins. O andar superior, onde ficam os quartos e o banheiro, foi construído em estúdio. Lee contou que não foi uma tarefa fácil para ele projetar os espaços.

O cenógrafo também se colocou como arquiteto contemporâneo na decoração. Escolheu um sofá fino e reto. Poucos móveis. Nada de TV. O que se vê é o dia. O que se recebe naquela imensa tela de vidro é o privilégio de ter o Sol como companhia. A madeira escura está por toda parte, assim como a transparência do vidro. Os móveis são cinza. Assim como é cinza o grande quadro na sala que representa uma floresta. Essa tela, sim, foi feita por um artista real: Seung-Mo Park. A tela faz parte de uma série chamada Maya do artista sul-coreano (o mesmo artista fez uma segunda tela especialmente a pedido do diretor e do cenógrafo. Ela retrata gatos e fica no piso superior, no corredor). Mais detalhes, Confira!

Via Casa Abril



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